Na segunda-feira, 31 de agosto, Stan Wawrinka entrou no Grandstand para disputar uma partida e saiu de lá carregando vinte anos de Nova York. Matteo Berrettini venceu por 7-6(4), 7-6(3) e 6-0 na primeira rodada do US Open de 2026, mas o placar foi apenas uma parte da noite: a arquibancada lotada transformou a despedida do suíço em uma celebração de sua relação com o torneio.
O convite chegou na última hora e devolveu a Wawrinka a possibilidade de encerrar sua trajetória nos quatro Grand Slams dentro da quadra. Aos 41 anos e na temporada em que deixará o circuito, ele fez sua 18ª e última participação em Flushing Meadows. A estreia havia ocorrido em 2005; a despedida completou 63 partidas de simples e um retrospecto de 46 vitórias e 17 derrotas no evento.
Por dois sets, o jogo permaneceu à altura da ocasião. Wawrinka recuperou uma quebra no primeiro set e chegou a 5-5, criou oportunidades para mudar a direção da partida e voltou a empurrar Berrettini até o tiebreak no segundo. O italiano, porém, administrou melhor os pontos decisivos, venceu as duas séries de desempate e abriu caminho para o 6-0 final quando o esforço já pesava sobre o suíço.
A derrota não apaga por que Nova York ocupa um lugar diferente na carreira de Wawrinka. Em 2013 e 2015, ele chegou às semifinais. Em 2016, conquistou ali o terceiro de seus três títulos de Grand Slam, vencendo Novak Djokovic em quatro sets na final. Foi o fechamento de uma sequência rara: Australian Open de 2014, Roland Garros de 2015 e US Open de 2016, três troféus em três anos e três vitórias sobre um número 1 do mundo nas decisões.
Essa memória também explica a intensidade da despedida. O Grandstand ficou cheio para um jogador que já não era avaliado apenas pela possibilidade de avançar na chave. Cada aceleração de backhand lembrava o auge; cada aplauso reconhecia uma carreira que encontrou espaço próprio na era de Federer, Nadal e Djokovic sem tentar reproduzir nenhum deles.
Wawrinka disse depois que o alto nível apareceu nos dois primeiros sets, mas que a confiança para fechar as oportunidades se torna mais difícil quando as vitórias ficam menos frequentes. A análise foi direta e sem romantizar o resultado. O que ele recebeu do público, porém, não dependia da tabela: era o reconhecimento por ter voltado uma última vez.
Durante a cerimônia, Wawrinka agradeceu o convite e a energia que encontrou em Nova York desde a primeira visita. “Vou sentir muita falta disso”, resumiu. Berrettini, que contou ter crescido vendo o suíço vencer grandes torneios, dividiu o centro da quadra com ele e deixou que a despedida ocupasse o momento.
Wawrinka ainda seguirá até o fim da temporada, mas seu capítulo nos Grand Slams terminou no lugar onde conquistou o último deles. Não houve uma nova campanha para prolongar a história. Houve algo mais preciso: uma última noite capaz de mostrar que, em Nova York, o campeão de 2016 continuava presente mesmo quando o resultado já apontava para a saída.
Fontes consultadas: US Open/USTA e ATP Tour. Apuração atualizada em 1º de setembro de 2026.
