Roger Federer não anunciou uma nova aposentadoria — ela aconteceu em 2022 — nem ensaiou um retorno ao circuito. O que Nova York recebeu nesta semana foi algo mais raro: a oportunidade de completar uma despedida que o calendário, as lesões e o fim abrupto da carreira deixaram em aberto.
Na segunda-feira, 24 de agosto, Federer voltou a Flushing Meadows, treinou diante do público com Lorenzo Musetti e concedeu uma entrevista coletiva no US Open. A presença do suíço, de faixa na cabeça e raquete em mãos, antecipou a celebração preparada para a noite seguinte no Arthur Ashe Stadium.
Na terça-feira, 25, o evento “Roger Federer: An Icon Returns to New York” devolveu Federer à competição por uma noite. Ele venceu Andy Roddick por 6–3 no set de simples e depois formou dupla com John McEnroe para superar Roddick e Andre Agassi por 7–5. O placar foi secundário; o gesto central foi vê-lo novamente em ação na quadra que marcou sua carreira.
Chamar a noite de despedida faz sentido, desde que se entenda seu caráter simbólico. A última partida de Federer no US Open aconteceu em 2019, nas quartas de final. Ele não disputou a edição de 2020, jogou seu último Grand Slam em Wimbledon, em 2021, e encerrou a carreira oficialmente na Laver Cup de 2022. Flushing Meadows, um dos palcos centrais de sua trajetória, ficou sem o ritual final que outros grandes campeões puderam viver.
O próprio Federer reconheceu esse vazio ao explicar que o reencontro lhe dava a chance de agradecer e dizer adeus. Não foi a correção de um resultado nem a tentativa de reabrir a carreira. Foi o fechamento afetivo de uma relação construída durante duas décadas.
Entre 2004 e 2008, Federer conquistou cinco títulos consecutivos no US Open. Nenhum homem ou mulher repetiu uma sequência igual no torneio. Foi em Arthur Ashe que sua combinação de precisão, velocidade e aparente leveza encontrou um dos públicos mais intensos do circuito — e onde ele transformou domínio em memória coletiva.
A escolha dos convidados ajudou a contar essa história. Agassi foi seu adversário na final de 2005; Roddick, na decisão de 2006. McEnroe representa uma Nova York anterior, igualmente barulhenta e inseparável do espetáculo. A quadra reuniu, portanto, mais do que quatro nomes célebres: reuniu capítulos diferentes do mesmo torneio.
Federer também afastou qualquer leitura de retorno competitivo. Aos 45 anos, disse que o corpo já cumpriu seu papel e descartou a possibilidade de receber um convite para a chave de simples. Depois de Nova York, ele segue para Newport, onde será introduzido no International Tennis Hall of Fame no sábado.
A despedida do US Open chegou quatro anos depois da aposentadoria, mas talvez no momento certo para o significado que carrega. Nova York não recuperou o último jogo que não teve. Em vez disso, ofereceu a Federer e ao público uma última entrada em Arthur Ashe sem a pressão do circuito — apenas com a história, a gratidão e o som de um reencontro.
Fontes consultadas: US Open, ATP Tour e Reuters, via CNN Brasil. Apuração atualizada em 26 de agosto de 2026.
